Treze a Rir Uns dos Outros de Juan Munoz

A propósito da retrospectiva da obra do artista espanhol Juan Munõz que decorre até ao dia 18 de Janeiro na Fundação de Serralves, no Porto. É importante apresentar a única escultura pública deste artista situada em solo nacional. Trata-se do conjunto escultórico em bronze intitulado “Treze a Rir Uns dos outros”, instalado no ano de 2001 na Alameda dos Plátanos, Jardim da Cordoaria Nacional no Porto.
Esta obra é constituída por quatro conjuntos de bancadas onde se distribuem diversos grupos de conversadores sorridentes, perfazendo no seu total treze figuras. O conjunto escultórico foi doado à cidade pela Companhia espanhola Crédito y Caución, S.A. durante o Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, e recentemente emprestada à Fundação de Serralves para integrar a exposição antológica do escultor espanhol.
Esta peça de escultura contemporânea, a última que Juan Muñoz realizou para o espaço público, apresenta um conjunto de figuras inseridas na sua própria narrativa, retratando um encontro social que nos remete para a série de pinturas Inglesas do séc. XVI e XVII ilustrativas de cenas domésticas e sociais. Cada figura descreve um movimento próprio, ora inclinando-se para a frente, ora em posição de desequilíbrio a cair da bancada, sempre com um denominador comum: a expressão de riso hilariante.
A teatralidade desta construção cénica vive do espaço intimista criado entre as personagens, uma conversa privada onde o espectador apenas pode acercar-se sem conhecer a verdadeira narrativa. É nesta aparente indiferença das personagens que reside o carácter misterioso da peça. A configuração aberta da bancada semi-ocupada aparentemente inscreve o espectador, mas fecha-se na sua própria estrutura interna num discurso plural e silencioso.
Apesar da semelhança que o tratamento realista deste conjunto escultórico pode evocar com outras representações monumentais, a sua concepção é totalmente contrária à figuração tradicional, apresentando aspectos de contemporaneidade não só ao nível da gramática visual, mas principalmente pela sua densidade psicólogica. “Treze a Rir Uns dos Outros” é uma das esculturas públicas mais interessantes da cidade invicta que veio enriquecer o património artístico do nosso país.
Na minha opinião esta obra está muito bem conseguida e bem integrada no espaço envolvente, assim como no aspecto cultural e tradicional. Pois este local é bastante utilizado pelos portuenses para a tão tradicional cavaqueira, que na obra está muito bem retratada.
Além disso consegue captar a atenção de quem por lá passa e intrigar as mesmas sobre a sua origem e representação.
Em suma leva as pessoas a pensar.
A única apreciação menos positiva que tenho a fazer é acerca do material utilizado. Penso que dada a riqueza do nosso país ser mais a pedra, se a obra fosse construída em pedra/granito, de certa forma simbolizava mais o nosso país.
De qualquer modo apresento os meus parabéns ao artista.
Maria Odete Peixe
Na minha opinião estas peças de escultura contemporânea, de Juan Muñoz, foram muito bem colocada, pois está relacionada com o espaço. Pois um jardim é um espaço onde as pessoas se encontram para conversar, divertir e passar um bom bocado. Portanto não existia sitio melhor que um jardim para exibir as ditas peças de escultura, para além de transmitirem uma sensação de boa disposição.
Na minha opinião penso que estas peças foram muito bem concebidas, onde o artista retrata as pessoas a conviver nos jardins públicos. Penso que os jardins públicos realmente ficam mais interessantes com as obras de arte, desde que estas sejam adequadas ao meio em que estão envolvidas. Reconheço que as esculturas públicas enriquecem a nossa cidade.