Friday, June 13, 2008

Porque é que a Arte Pública é polémica?

               
 

                Charles Robb - Charles La Trobe, Melbourne. (removida em 2006)

        Será que a arte pública é polémica por natureza? Quais os principais factores que suscitam a controvérsia? Todas estas questões podem ser facilmente compreendidas se pensarmos que a arte, enquanto prática de vanguarda procura: provocar o debate de ideias, desencadear um choque estético-cultural, subverter os seus principais paradigmas, reflectir sobre a nossa existência, transformar a sociedade e as consciências, apelar aos nossos sentidos e estimular a imaginação, revelar novas perspectivas da realidade, explorar novos territórios estéticos, transformar o nosso quotidiano, enriquecer a nossa existência… 


   Richard Serra - Tilted Arc, Aço Cor-ten, 1981, Nova Iorque. (peça removida) 

       Quando a arte abandona os espaços institucionais como os museus e galerias, para explorar as novas potencialidades do espaço público, deixa de usufruir de uma espécie de proteccionismo que as paredes dos espaços institucionais oferecem. O denominado “cubo branco” para além de ter a capacidade de legitimar uma obra de arte, preserva-a das sucessivas investidas que a sua gramática conceptual e formal pode suscitar no público. A arte é simultâneamente exibida e resguardada dos espectadores, normalmente familiarizados com as práticas artísticas contemporâneas, permitindo um juízo crítico dentro do panorama das artes, sem o confronto directo com a sociedade.

       No espaço público a arte encontra-se totalmente exposta à sociedade, isso implica uma grande diversidade de opiniões (bem ou mal fundamentadas, com ou sem conhecimentos artísticos) e os mais variados confrontos directos. Ora, o que pode suscitar a polémica são geralmente os seguintes factores: 

    - Incapacidade para compreender a gramática visual empregue pelo artista;
    - Incapacidade para descodificar os elementos simbólicos presentes na obra;
    - Falta de identificação com a forma/conteúdo;
    - Escassez de informação sobre a obra;
    - Falta de qualidade e eficácia da obra;
    - Conservadorismo estético;
    - Inadequação da obra aos propósitos comemorativos;
    - Inadequação da obra ao seu espaço envolvente;
    - Considerar a verba destinada à arte demasiado elevada;

Posted by J. R. in 13:47:12
Comments

Leave a Reply